Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Votação do IOF e conversa entre Trump e Lula mexem com a bolsa nesta terça-feira

A terça-feira começou com os investidores recalibrando cenários a partir de dois eventos que, juntos, formam uma mistura típica de incentivo político e incerteza econômica: o telefonema amistoso entre Lula e Donald Trump, e a indefinição sobre a Medida Provisória alternativa ao IOF. No plano externo ainda havia o shutdown do governo norte-americano, que limita a divulgação de indicadores e amplia a influência de declarações de dirigentes do Federal Reserve. 

O telefonema: o que foi dito e por que importou

A conversa entre Lula e o presidente dos Estados Unidos durou cerca de 30 minutos e foi descrita por autoridades como tendo um tom amistoso. No diálogo, Lula pediu a retirada de sobretaxas aplicadas a produtos brasileiros — reportagem da Associated Press e outros veículos registraram pedido por reversão de tarifas que chegaram, em relatos, a até 40% sobre alguns grupos de produtos, sobrepostas a alíquotas anteriores. A troca também incluiu convite para encontros presenciais nas próximas semanas. 

Por que isso mexe com a bolsa:

Sinal político: o contato direto entre chefes de Estado reduz o risco de escalada diplomática e abre caminho para negociações comerciais que podem beneficiar exportadores.

Impacto nas exportadoras: empresas com receita exterior relevante — especialmente indústrias ligadas a commodities e manufaturados — podem se beneficiar se tarifas forem reduzidas.

Expectativa de normalização nas relações comerciais, que tende a reduzir o prêmio de risco embutido no preço de ativos expostos ao comércio com os EUA. 

Embora o tom tenha sido positivo, Lula e Trump ainda precisam converter essa boa intenção em medidas concretas. Processos de retirada de tarifas e de reaproximação diplomática têm passos técnicos e políticos; por ora o efeito é de alívio parcial, não de resolução automática. 

A votação do IOF: números, prazos e risco fiscal

No plano doméstico, a pauta que mais preocupa o mercado é a Medida Provisória alternativa ao IOF, enquanto Lula segue acompanhando de perto as negociações. O governo apresentou a MP como forma de compensar perda de receita decorrente de outras medidas e de fechar parte da conta fiscal, algo que Lula tem monitorado de forma estratégica.

As estimativas de arrecadação variam segundo o texto e as versões discutidas: R$ 10,5 bilhões em 2025 e R$ 20 bilhões (ou R$ 20,9 bilhões, em algumas leituras) em 2026, totalizando cerca de R$ 30,5 bilhões nas contas mais diretas, números que Lula considera relevantes para ajustar a política fiscal. Em levantamentos que combinam arrecadação prevista e renúncias fiscais relacionadas, o número citado por alguns veículos sobe para R$ 35 bilhões como impacto potencial caso a MP caducasse, cenário que Lula acompanha com atenção para avaliar próximos passos.

O que ocorreu em Brasília:

• Na segunda-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se reuniu com o presidente da Câmara, Hugo Motta, e líderes partidários para tentar viabilizar votos. A reunião terminou sem acordo fechado. 

• Líderes governistas admitiram que a proposta pode ser “desidratada” — isto é, ter itens retirados ou alíquotas reduzidas — para obter apoio. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, afirmou que a não aprovação teria impacto elevado nas contas do governo. 

Por que isso importa para investidores:

Fiscal: se a MP for aprovada na versão mais fraca, a arrecadação prevista cairá e o governo precisará buscar compensações em outras áreas ou aceitar aumento do déficit.

Risco de confiança: impasses fiscais ampliam o prêmio de risco do país, pressionando juros e enfraquecendo preço de ativos sensíveis a política macro.

Setores afetados: bancos, fundos que operam crédito e gestoras que dependem do ambiente macro econômico podem ver volatilidade maior até a definição final. 

Prazos e probabilidades

A MP vence no começo da semana seguinte — a validade expira se não houver votação dentro do prazo. A estratégia do governo tem sido negociar concessões pontuais para garantir a tramitação. Se a medida caducar, o rombo projetado no horizonte de 2025-2026 pode ser maior do que o cenário-base que vinha sendo usado nas projeções fiscais. 

O shutdown nos EUA e o efeito sobre dados econômicos

Votação do IOF e conversa entre Trump e Lula mexem com a bolsa nesta terça-feira

Enquanto Lula negociava no plano diplomático, o ambiente internacional trazia um ruído extra. O governo dos Estados Unidos entrou em shutdown no início de outubro, o que interrompe a publicação de dados econômicos e aumenta a dependência de declarações de autoridades do Fed para formar expectativas. Como resultado, o calendário macro perde informações cruciais (emprego, produção), e o mercado passa a dar mais peso a discursos — por exemplo, de presidentes regionais do Federal Reserve, como Raphael Bostic (Atlanta), cujas falas são acompanhadas de perto. 

Consequências práticas:

Menos dados oficiais: o Fed e os mercados trabalham com lacunas, o que pode aumentar ruído e volatilidade.

Maior influência de falas de dirigentes do Fed: declarações passam a funcionar como substituto temporário dos números.

Cautela dos investidores globais: aversão a riscos cresce enquanto o impasse persiste. 

Como o mercado traduziu os eventos no curto prazo

A reação inicial foi de cautela mesclada com alívio tático. Em poucos pontos, o que se observou:

• Sinais positivos vindos do diálogo entre Lula e Trump reduziram parte do prêmio político sobre empresas exportadoras. 

• Tensão fiscal associada à MP do IOF manteve pressão sobre ativos sensíveis ao fluxo de crédito e à curva de juros. 

• Impacto do shutdown nos EUA limitou a visibilidade sobre dados macro, levando gestores a evitar posições diretas até haver desfecho mais claro. 

Exemplos práticos:

• No início de outubro o principal índice brasileiro mostrou oscilações e, em pregões anteriores ao telefonema, já havia recuos por cautela externa. Em 1º de outubro, por exemplo, o Ibovespa fechou em recuo de 0,49%, cenário que ilustra como dúvidas externas (como o shutdown) entram no preço dos ativos locais. 

Um guia prático para investidores

Se você opera ou acompanha posições no mercado brasileiro, a combinação entre o telefonema entre Lula e Trump, a votação do IOF e o shutdown americano impõe disciplina. Aqui estão medidas práticas, organizadas para diferentes perfis.

Para o investidor conservador

Reforce caixa: manter liquidez ajuda a atravessar dias de alta volatilidade.

Prefira ativos curtos em duration: redução de exposição a títulos longos diminui risco de marcação a mercado por variações de juros.

Evite alavancagem até o desfecho: quando o risco político e fiscal sobe, a alavancagem amplifica perdas.

Para o investidor moderado

Ajuste exposição a exportadoras: se você tem ações de empresas exportadoras, avalie a sensibilidade das receitas a tarifas e acompanhe as notícias sobre o diálogo entre Lula e Trump.

Use opções para proteger posições: estratégias de proteção podem limitar perdas sem vender posições estratégicas.

Monitore curva de juros e notícia sobre a MP do IOF: movimentos na curva traduzem expectativas fiscais. 

Para o investidor arrojado

Procure oportunidades de preço: períodos de incerteza podem gerar janelas para compras em empresas com fundamentos sólidos.

Diversifique geograficamente quando possível: reduzir correlação entre ativos nacionais e externos ajuda a mitigar choques localizados.

Aposte em volatilidade como ativo: traders com experiência podem estruturar trades de volatilidade que se beneficiem das oscilações.

Checklist de leitura rápido 

O que acompanhar agora:

• Lula — próximos passos do diálogo com os EUA e qualquer sinal concreto sobre redução de tarifas. 

• MP do IOF — votações, mudanças no relatório do relator e prazo de validade da medida. 

• Shutdown nos EUA — duração do impasse e anúncios de pagamentos/layoffs que afetem o sentimento global. 

• Discursos do Fed — autoridade regionais e minutes que possam alterar o viés dos juros. 

Análise de cenários: dois caminhos plausíveis

Cenário A — Conciliação e redução de tensão

Descritor: encontro presencial entre Lula e Trump; avanço em diálogo comercial; MP do IOF aprovada em versão com desidratação, mas compensada por outras medidas.

Impacto: queda do prêmio político, melhora gradual do apetite por risco, pressão moderada sobre prêmios de risco locais. 

Cenário B — Estagnação e aumento da prudência

Descritor: MP do IOF não é aprovada em termos satisfatórios, o governo enfrenta perda de receita; o shutdown americano se arrasta.

Impacto: subida da volatilidade, pressão sobre juros de longo prazo e possível queda em ativos mais sensíveis ao risco país. 

Resumo executivo

Evento político-diplomático: o telefonema entre Lula e Trump trouxe um sinal positivo de reaproximação e o pedido formal para reversão de sobretaxas, em um diálogo que durou cerca de 30 minutos. 

Risco fiscal doméstico: a MP do IOF permanece no centro do debate; estimativas diretas apontam para cerca de R$ 10,5 bilhões em 2025 e R$ 20 bilhões em 2026, enquanto contagens que agregam renúncias chegam a R$ 35 bilhões sob determinadas leituras. 

Ambiente internacional: o shutdown dos EUA priva os mercados de dados oficiais e aumenta a influência das falas do Fed, elevando a volatilidade. 

A combinação entre avanços diplomáticos e incertezas fiscais exige equilíbrio. Lula entrou em um canal de diálogo que pode, se concretizado, reduzir riscos para exportadores; mas a incerteza sobre a MP do IOF e o impasse nos Estados Unidos mantêm o cenário sujeito a oscilações. Para investidores, o caminho prudente é alinhar estratégia ao horizonte de investimento, preservar liquidez para aproveitar janelas e acompanhar de perto tanto os desdobramentos em Brasília quanto os anúncios em Washington. 

> LEIA TAMBÉM:

Trump chama Lula de “cara legal” e indica encontro: o que isso pode significar para o Brasil

Dólar e Ibovespa em Espera: Mercado Aguarda Desfecho do Julgamento de Bolsonaro

Taxa selic em 15% e corte de juros nos EUA: onde investir agora?

NOTA DE INSERÇÃO:

Este conteúdo foi preparado pela equipe do Investidor Mil com base em informações públicas e checadas em fontes de mercado. Não constitui recomendação de investimento. As decisões de alocação devem considerar perfil de risco, horizonte e consultar, quando necessário, um assessor financeiro qualificado.

Post anterior
Próximo post

Thiago Figueredo

Posts Relacionados

Copyright © 2025 Investidor Mil™. Todos os direitos reservados.

Botão WhatsApp