O preço do Bitcoin rompeu a máxima anterior e bateu US$ 126.198 no dia 6 de outubro de 2025. O movimento foi acompanhado por fortes entradas em fundos de câmbio negociados (ETFs) lastreados em Bitcoin à vista, além de um contexto macro que deixou investidores buscando alternativas ao dólar e ao estoque tradicional de risco. Esses elementos atuaram simultaneamente, mais demanda direta por Bitcoin, maior interesse institucional via ETFs e um ambiente de aversão ao dólar.
Por que é importante: quando um ativo atinge um novo recorde acompanhado de fluxos relevantes de capital, deixa de ser um movimento isolado para virar sinal de interesse estrutural. Isso não garante continuidade, mas muda o patamar de atenção e liquidez no mercado.
Resumo rápido dos pontos-chave
• Novo topo histórico do Bitcoin: US$ 126.198.
• Entradas líquidas em ETFs de Bitcoin à vista: US$ 3,24 bilhões na semana, um dos maiores registros desde o lançamento desses produtos.
• Contexto macro e geopolítico: fechamento parcial do governo dos EUA e enfraquecimento do dólar, que reforçaram procura por ativos alternativos e por proteção, como ouro e criptoativos.
• Sinais de rotação para altcoins: indicadores de altseason mostram aumento da participação das altcoins e queda relativa da dominância do Bitcoin.
Por que o Bitcoin subiu agora?
O diagnóstico exige separar causas técnicas de causas fundamentais. Aqui está uma leitura prática:
Causas fundamentais
• Fluxos institucionais diretos: os ETFs spot de Bitcoin continuam recebendo grandes volumes líquidos. Na semana do recorde, os ETFs registraram US$ 3,24 bilhões em entradas líquidas, o que trouxe demanda significativa para o ativo. Esse tipo de compra não só puxa o preço no curto prazo, como reduz oferta disponível em mercados spot.
• Ambiente macro adverso ao dólar: em períodos de incerteza política ou fiscal, parte do capital tende a reavaliar exposição ao dólar e buscar ativos alternativos. No episódio recente, o fechamento parcial do governo dos Estados Unidos contribuiu para essa dinâmica, beneficiando tanto ouro quanto Bitcoin.
• Maior apetite por risco em ações: o S&P 500 mostrou resiliência em dias consecutivos de alta, o que ajuda a criar um caldo de liquidez que, por sua vez, pode migrar para criptoativos quando há narrativas positivas.
Causas técnicas
• Menor oferta circulante para venda: grandes entradas em ETFs e compras de tesouraria por empresas e fundos podem reduzir a oferta em exchanges, criando compressão de oferta e empurrando o preço para cima.
• Momentum e efeito manada: uma vez rompido um nível psicológico elevado, operadores de curto prazo e algoritmos aceleram compras, ampliando o movimento.
O papel dos ETFs de Bitcoin
Os ETFs spot facilitam a exposição institucional ao Bitcoin sem a necessidade de custódia direta. Isso reduz barreiras à entrada para grandes players, fundos de pensão, gestores discricionários e family offices. A semana que antecedeu o novo recorde mostrou entradas líquidas de US$ 3,24 bilhões nos ETFs nos Estados Unidos, o que foi um gatilho importante para a alta. Esse fluxo evidencia que parte da nova demanda não vem de varejo, mas de investidores institucionais.
Impactos práticos dos ETFs:
• Maior volumes negociais no mercado secundário.
• Pressão compradora consistente, especialmente nos horários de rebalanceamento.
• Mais cobertura regulatória e divulgação, reduzindo, em parte, a barreira para dinheiro institucional.
O que o contexto macro (fechamento do governo dos EUA) diz sobre risco e dólar
Quando há instabilidade política que afeta o funcionamento do Estado, é comum que investidores reavaliem a moeda local. No episódio recente, o fechamento parcial do governo americano levou a uma combinação de aversão ao risco e busca por proteção. Isso se manifestou com afluxo para ouro e também contribuiu para a procura por Bitcoin como alternativa de reserva de valor ou diversificação. esses movimentos são reativos e podem reverter quando a crise política se normaliza.
Altcoins: será que a altseason chegou?
A expressão “altseason” refere-se a um período em que a maioria das principais altcoins supera o desempenho do Bitcoin por um período prolongado, normalmente medido em 90 dias. Um indicador amplamente utilizado compara as performances das top 100 moedas contra o Bitcoin. Quando 75% dessas moedas superam a performance do Bitcoin por 90 dias, o mercado é tecnicamente considerado em altseason. Recentemente, índices e ferramentas que medem esse fenômeno apontaram leituras crescentes, sugerindo que a rotação de capital para altcoins ganhou tração.
Dados observados:
• Índice de Altseason registrando leituras em patamares que demonstram maior participação das altcoins.
• Valter Rebelo, especialista de cripto na Empiricus Research, tem sinalizado que as condições favorecem uma altseason nos próximos meses, com aumento na capitalização das altcoins e uma queda relativa na dominância do Bitcoin.
O que os números de mercado dizem
Para interpretar o momento, olhamos a capitalização e a dominância:
• Market cap do Bitcoin: aproximou-se ou superou a faixa de US$ 2,4 trilhões nos primeiros dias de outubro de 2025, refletindo a valorização até o recorde de preço.
• Market cap das altcoins (top 100): aumentou substancialmente nas semanas recentes, em parte pela valorização de Ethereum e outras grandes altcoins. Dependendo da métrica e da fonte, a soma das altcoins ficou na faixa de US$ 1,6 a US$ 1,8 trilhão em momentos próximos ao recorde, reduzindo a dominância de Bitcoin e sinalizando rotação de capital.
Números de market cap e dominância mudam minuto a minuto. No entanto, o ponto relevante é que Bitcoin continua sendo o motor do mercado em termos de valor absoluto, mas o fluxo marginal margina capital para altcoins quando há entusiasmo de mercado.
Ethereum, Solana e outras: quem acompanhou a alta
Na última semana observada, várias altcoins também registraram ganhos relevantes. Ethereum (ETH) e Solana (SOL) foram citadas entre as que mais acompanharam a alta do mercado, reforçando a ideia de que, num movimento de alta coordenada, capital tende a fluir tanto para o líder quanto para apostas com narrativa e liquidez. Esses movimentos ajudam a reduzir temporariamente a dominância do Bitcoin.
Altseason na prática: o que o investidor deve considerar
Se a altseason se confirmar, trata-se de um ambiente de maior risco e também de mais oportunidades, em especial para quem sabe avaliar projetos e entender liquidez. Pontos a considerar:
• Volatilidade elevada: altcoins costumam ter volatilidade muito maior que o Bitcoin.
• Liquidez variável: nem todas as altcoins têm mercados líquidos, o que pode aumentar slippage e custo de transação.
• Risco de seleção: ganhos extraordinários tendem a vir acompanhados de projetos que têm base técnica e adoção. Evite seguir hype sem análise.
• Diversificação e tamanho de posição: faça uso de posições bem dimensionadas e técnicas de stop loss, quando aplicável.
Estratégias práticas para quem quer exposição a Bitcoin hoje

A estratégia depende do perfil do investidor. A seguir, opções com objetivo, risco e implicações práticas:
• Compra direta em exchange (spot): para quem quer posse direta do ativo, assumir custódia e controlar chaves pode ser uma escolha. Risco: custódia, segurança e responsabilidade pela proteção das chaves.
• ETFs spot de Bitcoin: ideal para investidores institucionais ou pessoas que preferem exposição via mercado regulado. Vantagem: facilidade de custódia, integração a carteiras tradicionais. Risco: custos de gestão e spreads.
• Uso de DCA — média de custo em dólar: método para reduzir risco de timing, especialmente útil em mercados voláteis.
• Alocação moderada em portfólios balanceados: tratar Bitcoin como parcela de risco dentro de uma carteira diversificada.
• Trading de curtíssimo prazo: exige habilidade, disciplina e infraestrutura. (risco elevado)
• Exposição indireta via ações de empresas de cripto: mineradoras, exchanges e empresas de infraestrutura podem amplificar ou amortecer a exposição ao mercado cripto.
Riscos específicos que não podem ser ignorados
• Regulação: mudanças regulatórias podem afetar preço e acesso a produtos.
• Risco operacional: falhas de exchanges, hacks, problemas de custódia.
• Risco de narrativa: avaliações podem subir muito com narrativa e reverter rapidamente.
• Risco de liquidez: altcoins podem ter liquidez limitada em movimentos bruscos.
• Risco macro: reações a notícias econômicas e políticas, como o fechamento de governos, podem criar volatilidade abrupta.
Análise tática: comprar agora ou esperar correção?
Não existe resposta única. Se a sua perspectiva é de longo prazo e você entende e aceita a volatilidade, entrar com parcela definida e usar DCA é uma alternativa sensata. Se a sua prioridade é preservar capital no curto prazo, aguardar uma consolidação após o rompimento do topo pode reduzir risco de comprar no pico. Em ambas as abordagens, é crucial:
• Definir tamanho de posição.
• Ter plano de saída.
• Conhecer custos e impostos aplicáveis.
Como montar uma posição razoável em Bitcoin
Exemplo prático, didático e conservador:
• Alocação inicial pequena: 1% a 5% do portfólio, dependendo do risco que aceita.
• Topo da posição via DCA: aporte em parcelas semanais ou mensais, especialmente após rotação de mercado.
• Rebalanceamento periódico: ajustar exposição conforme variação do preço e metas de alocação.
• Stop mental ou técnico: defina gatilhos para rever ou reduzir posição, sem operar por pânico.
Perguntas frequentes — FAQ
Pergunta: O recorde significa que o Bitcoin vai subir sempre?
Resposta: Não. Recordes mostram força momentânea, mas não garantem tendência. É preciso avaliar fluxo, macro e estrutura técnica.
Pergunta: ETF faz o preço disparar sempre que há entrada?
Resposta: Entradas consistentes em ETFs podem ser um motor de demanda, mas o efeito no preço depende da magnitude relativa do fluxo e da liquidez do mercado.
Pergunta: Altseason é sinal de que devo abandonar Bitcoin e ir para altcoins?
Resposta: Não necessariamente. Alguns investidores mantêm exposição em Bitcoin como base e alocam parcela para altcoins especulativas. A escolha depende do perfil e do horizonte.
Resumo e takeaways práticos
• Bitcoin alcançou US$ 126.198 em 6 de outubro de 2025, impulsionado por fluxos em ETFs e contexto macro que enfraqueceu o apetite pelo dólar.
• Os ETFs spot foram determinantes na criação de demanda institucional nesta alta.
• Há sinais de rotação para altcoins, com indicadores que mostram maior participação das altcoins no retorno agregado, o que abre espaço para uma possível altseason. Contudo, altseason implica riscos adicionais e exige seleção cuidadosa.
• Estratégias apropriadas passam por alocação consciente, uso de DCA quando aplicável e atenção a custos e custódia.
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> NOTA DE INSERÇÃO
Esta matéria foi produzida pela Investidor Mil com linguagem didática e foco em informar e contextualizar os eventos de mercado. Não se trata de recomendação de investimento. Decisões de investimento exigem análise individualizada, consideração do seu perfil de risco e, se necessário, orientação profissional.
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